Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Cem palavras

Há pouco, quando entrei no meu local de trabalho e quis cumprimentar uma pessoa de regresso à casa (até tive um bocadinho de espera para dar as boas-vindas) e tive logo receio de me entranhar na conversa que a rodeava pois atingiu-me o sistema nervoso. Vai uma pessoa uns tempos grandes para casa e quando volta é mirada de cima a baixo, em altura e largura, ao ponto de nos apalparem as curvas mais em destaque e de nos darem uns conselhos medonhos para voltarmos a ter o penar de olhar para o espelho e termos uma coisa que, às vezes, tem o título de depressão. Já nos basta a depressão dos dias cinzentos, das ameaças de chuva, dos gastos exagerados, das despesas malucas, das contas obrigatórias, das casas para manter, dos filhos para comer, da vida para viver acompanhada de imposto daqui e imposto dali, e ainda, por cima, termos de estar sempre como manda o figurino das "top model" que nem sabem o gosto que tem uma batatinha frita, um molho temperado com tudo a gosto, de uma salsicha estendida num pão fofinho, de uma hambúrguer com os acompanhantes que tivermos, etc. Tem logo de vir a ladainha do que devemos ou não devemos fazer, o chamar a atenção para isto e para aquilo de maneira muito suave não vá a gente se escandalizar ou traumatizar. Com mil e seiscentos macacos coloridos de côco: afinal quem é que está na nossa pele - são os outros ou nós? Por acaso algum homem quando vê outro passado algum tempo repara se a barriga cresceu com a cerveja que bebeu? Por acaso alguma criatura que regressa de um período prolongado de ausência repara se a perna está mais larga ou mais fina para ser o tema da primeira conversa do dia?

Pois perante esse tipo de conversa eu dou meia volta aos calcanhares e ponho-me a distrair com música radiofónica, ou coisas afins que são muito mais valiosas que ter uma ou mais roscas no físico. Sou daquele conjunto de pessoas que está em vias de extinção devido a uma propaganda que abunda na actualidade, mas o que fazer? Dietas loucas nuns dias e passados uns meses haver um retrocesso para pior do que estava quando se começou no regime porque sim, porque é o que todos dizem, porque é assim que deve ser, porque há uma mão cheia que nos aponta o dedo por sermos os GORDOS?! E o que acontece a quem tem geneticamente propensão para a largura? Vão-se por na lista para abate? Vão fechar-se num casarão com dimensões adequadas ao tamanho do freguês?

Que diabo é que se passa na cabeça de uma meia dúzia que se vira a atirar bocas a outra meia dúzia?

E pronto, não escrevo mais hoje. Nem sei se foram as cem palavras mas acho que ultrapassou a minha intenção inicial. Agora resta-me ficar no meu canto e sem palavras por um bocado grande.

Bom regresso e tudo de bom para ti, colega.

publicado por Terceirense às 12:35
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

As famílias da actualidade

Ou melhor, as famílias da forma que eu as vejo:

Lembro-me que, num passado não muito longínquo, e sobretudo nas zonas rurais, as famílias raramente se desmoronavam. As casas sim, desmoronavam com os tremores da natureza. Hoje, não desmoronam tanto com os tremores porque as cimentaram, mas as famílias, por sua vez, estão a desmoronar a torto e direito. Felizmente que já não se olha de esguelha para os descasados como outrora se via. O que me faz olhar de esguelha é a tristeza da primeira fase (sobretudo para um dos conjuges), para a decadência da vida, para as fases do divórcio (regulação do poder paternal, o assinar do divórcio propriamente dito e as partilhas).

Há famílias que levam vidas nestas fases e nunca mais se livram delas, por muitos papeis que assinem e por muitos "acordos" que criem, porque há os filhos. Os filhos são o que liga definitivamente um casal, mesmo que em separado. Os filhos nunca deixarão de ter pai e mãe. Os pais é que podem "arrecadar novos filhos" que não o são, de verdade.

Por vezes, os "novos filhos" são mais estimados que os próprios do casal que acaba de separar, pois a convivência vai ficando tabelada. É mesmo assim. Tudo vai sendo um novo regime de vida. Tudo vai ganhando novos contornos nesta sociedade actual.

Penso, no entanto, que a parte civil se vai moldando pela medida nova mas a parte clerical sofre grandes desmoronamentos com isto tudo. Realmente é confuso e vai contra as Leis de Deus, mas se o clero não tolerar algumas ocorrências novas acabará por se ver sozinho. E Deus não quer as pessoas sós, tristes, amarguradas e em guerra permanente. Há que criar as condições para que as "novas famílias" tenham alegria e integrem a vida religiosa.

A mulher trabalha, o homem trabalha, todos trabalhamos. As tentações surgem porque não há tempo para o diálogo familiar. Deixa-se de conhecer o ser que nos promete fidelidade até à morte. Tanto a mulher como o homem tem um leque variado de tentações fora de casa e, por vezes, não resistem nem pensam no "acordo" que fizeram. A própria Igreja é que servirá de conforto aos separados porque vai acalmar a depressão pós-separação. Ela existe quer queiram quer não. Por vezes até parece que não mas vê-se essa tal depressão pela ostentação de escapes, tanto do homem como da mulher... Muito havia a escrever sobre este tema mas cada um que faça a sua própria análise e veja o que pode fazer para tolerar as separações actuais.

publicado por Terceirense às 17:22
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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Uma carta da Azoriana

(...) Também defendo a Serreta com unhas e dentes, com a força que vem dos meus antepassados, com as lembranças dos hinos, dos foguetes, das flores, do nevoeiro, do vulcão que amainou, da praça, do pico, dos chafarizes, do coreto, do império, da despensa, do pico da maria da costa, da canada da vassoura, das gentes de lenço a cobrir uma cabeleira alva, das colchas nas janelas, das procissões, dos silêncios, dos cantares, dos choros, dos chilreios, dos murmúrios do verde e do cheiro da terra... Tudo isto eu defendo com o suor do meu rosto... E tudo (e nada) permanece numa folha electrónica sujeita à tempestade sem chuva, sem vento... Apaga-se a luz e tudo perece. Valerá a pena cantar tão alto a minha terra e ela ficar tão amargamente caída após a minha descida ao chão do silêncio?
(...)
Quem sabe seja mais um a defender a "minha" Serreta que em vez de ser pesquisável por um "vulcão" extinto (oxalá que durma para sempre) seja pesquisável por "Azoriana" (sem cedilha por via das engrenagens tecnológicas) que um dia pensou que fizera muito mal não obedecer à mãe quando esta lhe pediu para falar da "sua" Serreta. Neguei-lhe em vida e estou a remediar o meu remorso. E quem me ajudará a levar esse montinho de papel para algo palpável, algo que ornamente as estantes das casas da nossa gente e dos emigrantes que foram para terras longínquas mas permaneceram ligados pelo maior orgão vital: o coração.
(...)

2008/08/21

 

Eu também defendo a tua Serreta!

publicado por Terceirense às 21:02
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Notícias

Andava eu à procura de um código postal que até nem tinha nada a ver com a Serreta, mas ao deparar com o sítio ideal para saber-se estas coisas de códigos, o sentido levou-me a rumar para os lados da freguesia da Serreta, que é e será do concelho de Angra do Heroísmo, e descobri um título curioso...

 

"ITALIANOS ENCANTADOS COM A TERCEIRA - Turismo de luxo viável nos ... - A União"

 

E assim, dedos para que vos quero, avancei no clique e deparei-me com um belo de um artigo da autoria de João Rocha, que a dada altura fez-me reler:

 

(...) Os italianos, da empresa Tecnhicolor, passaram, a 1 de Maio, um dia "absolutamente diferente" na Terceira, sendo que o serviço turístico contemplou uma exibição musical em pleno mar.

 

Numa organização da Top Atlântico Açores, os realizadores e produtores de cinema italianos apreciarem um tipo de organização turística testado pela primeira vez nos Açores: usufruir da paisagem como factor importante na oferta turística dos Açores em que o mar e as ilhas foram determinantes para a escolha do local, embora o tempo não tivesse colaborado.

 

Mesmo assim, na freguesia da Serreta, foram contemplados pela actuação de um Grupo de Instrumental de Sopro, que se fez transportar num barco de pesca. No ambiente marítimo criado para o efeito, houve também lugar para um bote baleeiro, de São Mateus.

 

A animação em terra foi garantida por um grupo de tocadores da viola da terra e de cantares.

 

Na Ponta do Queimado, na Serreta, foi construída uma estrutura própria em madeira, sendo que o jantar teve de ser transferido para um restaurante local face às adversas condições climatéricas.

 

A ementa integrou sopa de peixe, cherne grelhado, vinho verdelho dos Biscoitos e doçaria conventual. Os italianos, que também passaram pelas ilhas das Flores e Faial, tiveram a oportunidade de assistir a uma toirada à corda, nas Fontinhas. (...)

 

Então, resolvi emoldurar este artigo para não me esquecer que a ilha, o mar, a Serreta encantaram os italianos... Ah, grandes italianos!! "Molte grazie".

 

Outra notícia que também me atraiu para a Serreta foi a do falecimento do homem que contava 91 anos e já tinha feito 61 anos de casado. Os sinceros pêsames a toda a sua família.

publicado por Terceirense às 15:01
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Terça-feira, 27 de Maio de 2008

O santuário das palavras

Este título surgiu-me quando andava a fazer uma pesquisa num motor de busca nesta rede universal e encontrei um texto num blogue que há muito visito. Percebi logo do que se tratava - é a notícia do momento: a saída do Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.

Confesso-vos que não me surpreende e não me vou pôr aqui a fazer "investigação" por conta própria. Deixem lá o homem descansar porque presidentes não vão faltar, de certeza. Hoje meu, amanhã teu, é o que sempre ouvi dizer desde criança e já nada me espanta. Há cargos que são vitalícios mas não será este.

Agora o que me deixou mesmo com a pulga na orelha (como se costuma também dizer) foi um dos comentários que vi no poste. Não resisto a transcrever a parte que me saltou à vista:

 

"Em política, melhor escrevendo, em cargos políticos e em ocupações camarárias é natural haver cansaço e ainda estas "baixas". A única coisa que me faz alguma "inveja" nestes cargos é o facto de se puder sair à hora que se entende estar cansados. É que no normal funcionamento e nos postos de menos responsabilidade mesmo que se esteja "estafados" de trabalhar nunca há grandes hipóteses de ir para casa usufruir do resto dos bons dias com alguma vida ainda para desfrutar a beleza da paisagem do centro citadino e das freguesias do concelho. Mas mesmo dentro de Angra há "becos" que mereciam mais alguma atenção pois parece o 3º mundo. Como ficam mais escondidos e são atravessados por umas ruelas estreitas ninguém faz caso disso.
Há ainda muita coisa para mudar em Angra mas o povo gosta é de comida à farta, cerveja aos molhos, e logo que isto tudo seja à "borlix" ainda melhor será. Ainda ontem vi uma cena que me chocou bastante: havia uma mesa no arraial a ser preparada para o povo "petiscar" para depois um grupo actuar... pois mal acabaram de colocar os "comes e bebes" em cima da mesa, um dilúvio de bocas famintas derraparam a alta velocidade e num instante estava tudo devorado. Haja paciência e algum decência ou então há mesmo um horror de fome nos lares de Angra e não só...
Qualquer dia, às festas de Angra vai ser aplicada uma taxa e aposto que ninguém aparecia.
"


(...) Clique e lerá o resto.

sinto-me:
publicado por Terceirense às 23:18
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Enquanto houver amor, ilha e arte blogarei por toda a parte...

Terceirense

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